| Estátua - Visconde
de Cayru |
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1. Identificação:
1.1 – Espécie: Estátua
1.2 – Título: Visconde de Cayru
1.3 – Autor: Pasquale De Chirico
1.4 – Época: 2 de julho de 1923
1.5 – Origem: Bahia - Brasil
1.6 – Propriedade: Prefeitura Municipal de Salvador
2. Localização:
2.1 - Endereço: Praça Cayru - Comércio
2.2 - Localização: Em frente ao Elevador Lacerda
3. Dados Técnicos:
3.1 - Material: Bronze e Pedra Calcárea
3.2 - Técnica: Fundição e Pedra Lavrada
3.3 - Dimensões: Altura = 7,50m, Base (4,35 x 4,35)m
4. Descrição Sumária:
Monumento que tem como destaque, no topo estátua de bronze representando o Visconde de Cayru, em posição sentada. O pedestal é composto de blocos remontáveis de pedra calcárea, com alargamento na base terminada em degraus. Em prolongamento ao pedestal dois blocos simétricos de pedra calcárea, dispostas lateralmente, os quais suportam alegorias em bronze. Na parte frontal estátua simbolizando a Vitória. Na parte posterior encontra-se afixada placa comemorativa no mesmo local. Restaurado e instalado gradil de proteção em 2003.
5. Referência Histórica
5.1 Homenageado
Visconde de Cairu (1779-1835)
Economista, parlamentar, orador e político, nasceu em 16 de julho de 1756, em Salvador (Bahia), filho de Henrique da Silva Lisboa e Helena Nunes de Jesus. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1779.
Destacou-se por seu notável saber. Escreveu obras cinetificas, literárias e politicas.
Escreveu o celebre tratado de Direito Mercantil, publicado em 1801, em vitude disso foi considerado o fundador desse direito em Portugal.
Em 1804 escreveu Principios de Economia Politica.
Escreveu e colaborou em vários períodicos, no sentido de orientar a favor da causa da independência nacional. Fundou o jornal O Conciliador do Reino Unido, editado em 1820.
Amigo pessoal de D. Pedro I, foi deputado às Cortes Constituintes e com ele tomou parte ativa no movimento politico que levou à independência do Brasil e a fundação do Primeiro Reinado.
Foi agraciado no governo de D. Pedro I, com o título de Visconde de Cairu e eleito senador do novo império.
Faleceu no dia 20 de agosto de 1835.
Fonte:
Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, nº 59, 1933.
5.2 Autor da obra
Pasquale de Chirico (1873-1943)
O escultor, desenhista, pintor e professor, Pasquale de Chirico nasceu em 17 de abril de 1873, em Venosa (Itália). Estudou no Rial Intituto de Belli Arti em Nápoles. Teve como mestre o escultor Achiles D’Orsi.
Chegou ao Brasil em 1893, ficou durante 10 anos em São Paulo, e por volta de 1903, mudou-se para Salvador com sua esposa e duas filhas. A convite do engenheiro Theodoro Sampaio para um trabalho na antiga Escola de Medicina da Bahia que havia sofrido um incêndio e estava sendo reconstruída foi incumbido de realizar as imagens que deveriam ornamentar o anfiteatro da Escola. Terminado o trabalho da Escola de Medicina, residiu em Salvador, a partir daí, começou a participar e ganhar licitações públicas. No início do século XX, havia um sentimento de homenagear personalidades e vultos que marcaram a História, e justamente nesse momento o artista apresentava seus projetos, os quais eram aprovados.
Os grandes trabalhos foram feitos na Itália, devido a ausência de recursos para a sua execução. Grande parte dos monumentos foram esculpidos e fundidos na Itália.
No período que Pasquale de Chirico teve o seu projeto aprovado para construção da Estátua do Visconde de Cayrú, O Diário de Notícias, de 17 de junho de 1924, trouxe a seguinte notícia sobre o artista:
“A comissão incubida do monumento ao Visconde de Cayrú, diante dos nove projetos apresentados, adotou o de autoria do artista Pasquale de Chirico.
Estivemos com o escultor das estátuas de Rio Branco e Castro Alves, que nos disse:
- Estou, agora estudando as proporções exatas do monumento, levando em consideração a área da antiga praça da Alfândega. As dimensões atuais do monumento são estas: 6 metros de altura por 6 de largura. Será alterado conforme o estudo acima. O monumento será todo de granizo de bronze. Domina-o a figura de Cayrú, ladeada por dois grupos, representando as consequências inevitáveis do benemérito decreto de abertura dos portos do Brasil às nações amigas: o comércio, as indústrias, a arte, a civilização, em suma. Na frente do monumento, pisando na quilha de uma navio de pedra, uma mulher sombolizará a liberdade.
- E quando iniciará as obras?
- Depende da comissão. O máximo do custo do monumento, de acordo com a concorrência, é de 150 contos. Ainda no corrente ano, penso iniciar as obras, que são de grande importância. Cayrú será o maior monumento que terei, até agora realizado na Bahia. No espaço de dois anos, estará ele colocado no local que lhe destinou do Estado.
- O material será baiano?
- Infelizmente, não. E não, por cirscunstâncias de ordem de ordem material. Aqui falta-me tudo. Envelheci com a construção da estátua de Castro Alves, meu caro. Penso realizar a obra, agora escolhida na Itália, onde a terei pronta a preço mais conveniente e com capacidade para obter uma realização verdadeiramente artística”
Na Escola de Belas Artes da Bahia foi professor na cadeira de Escultura, de 1918 a 1942, na cadeira de Escultura.
O seu atelier funcionava na antiga Rua do Tijolo, nos fundos de um prédio que atualmente é repartição da Prefeitura.
Principais obras executadas: Monumentos a Rio Branco, Visconde de Cayrú, Castro Alves, Conde dos Arcos, Labatut, Padre Nóbrega, Misael Tavares e muitos outros de menores proporção, além de mausóleus, baixo-relevos e busto, destacando-se o magnifico Remorso em dois exemplares, pertencentes, à Escola de Belas Artes e ao Museu do Estado.
Faleceu na cidade do Salvador no dia 31 de março de 1943.
Fontes:
Sarmelli, Bartolo. O artista esquecido: Pasquale de Chirico. Salvador, 28 de março de 2006.
Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Homenagem ao centenário de nascimento do artista Pasquale de Chirico. Salvador: Bahia, 12 a 30 de novembro de 1974.
Revista Geografica e Histórica da Bahia, nº. 59, 1933.